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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A Grama do Vizinho



Daqui eu posso ver a grama do vizinho,
Posso ver seus pomares e as altas árvores,
Vejo também as plantas que por lá costumam florescer
E comparo com o meu matinho.
Enquanto olho para o meu quintal
Com algumas luzes de natal compradas a alguns anos atrás,
Meus tijolos à mostra, meus chinelos na porta
Um bem-vindo no portal.
Nem o gato preto do vizinho lhe causa algum azar,
Casa vazia, casa silenciosa, uma paz que não sei se vou alcançar.
Vejo seus bens, suas histórias,
E me deparo comparando com as minhas memórias
Meu cachorro vesgo teima em se coçar
Quando me vê, me lambe e começa a pular,
Meu riso cansado encontra os seus olhos
Eu não consigo negar lhe amar.
Eu vejo onde estão as falhas no meu quintal.
No dos outros, quem há de encontrar?
Eles nunca mostram sua real condição e pra quem vê apenas do portão
Não percebe as ervas daninhas, nem o veneno jogado no chão.
Por trás do portão podem esconder-se doloridas lágrimas,
Nunca saberemos o que há do lado de lá,
O lado do vizinho pode ser pura ilusão.
Ele tem um gato lindo, que não lhe dá atenção.
Eu reparo no vizinho
E ele no vizinho dele, neste caso, eu.
Nos invejamos secretamente, cada qual com sua visão aparente
Da vida que o outro leva.
É fácil invejar o vizinho,
Sem saber a história inteira do seu caminho.
Nos entreolhamos e cumprimentamos,
Imagino como é viver do lado de lá do portãozinho.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Mundo de Mentir@s

Meu primeiro conto:



Maria estava ali mais uma vez com o celular na mão, sorria e chorava ao mesmo tempo, afinal era aquilo mesmo que ela queria; fez a sua escolha inicial e acreditava que não se arrependeria, a sua vontade era esta, sempre foi e nunca voltaria atrás.

Na tela principal do telefone ela contemplava aquela foto de olhar sedutor de um jovem de meia idade publicada numa rede social, era um cara comum, e suas fotos pareciam mesmo de uma pessoa normal pacata, mas não era pobre. Tinha algumas fotos viajando em lugares tão lindos, e se imaginava passeando com ele, cruzando estradas e cantando em outras línguas; suas conversas pelo whatsapp ainda estão gravadas enquanto se lembrava de o quanto ele dizia que a amava.

Não sabe se ainda a ama, e talvez ela não merecesse mesmo este amor, na verdade sabia que não merecia. Relendo e-mails apaixonados que ele tinha feito especialmente pra ela, haviam marcado inúmeros encontros, mas ela nunca foi; Pedro nunca desistiu do seu sonhado encontro, e alimentava a esperança de viver com ela um grande amor.

Mas um grande problema começou a atormentar a vida de Maria, ela também se apaixonou, o que incomodava era como Pedro a tinha visto; ela havia criado um perfil falso para extorquir homens de meia idade, como já havia feito antes tantas outras vezes, e tinha atingido seu objetivo porque ele havia pago todas as suas contas.

Ela continuava alimentando toda a paixão que carregava por ele, mas sabia que ele jamais a perdoaria se contasse toda verdade. Com o celular na mão e uma carteira de cigarros, a cada tragada uma nova lágrima, sabia que tinha caído na própria rede de mentiras, e despedaçado o próprio coração.

Foi quando Maria simplesmente deixou de falar com Pedro, eles tinham mantido contato por tempo demais, o nome Fake de Maria era Ana Júlia e na foto parecia pelo menos dez anos mais nova. Poxa vida ele nunca percebeu que era nome de uma música? Que droga, homens não costumam reparar em detalhes, não reparou em fotos com as mesmas roupas e mesmas maquiagens e tantas coisas repetidas que mandava pra ele – ela pensava enquanto tragava mais uma vez. Então decidiu que não falaria mais com Pedro, aceitaria seu destino porque foi isso o que buscou e apagou os contatos, simplesmente guardou suas fotos para olhar toda vez que se sentisse triste e pensar que alguém a ama.

Pedro percebeu seu afastamento, e também recuou, ele ficou na expectativa de um simples olá que nunca mais chegou. Pegou seu celular e jogou na parede, junto com tudo o que restava de lembranças e contatos de Ana Júlia, e por amor preferiu nunca mais falar com ela também e a bloqueou, antes que ela percebesse que ele não era mais um homem viril de meia idade e encarou seu rosto enrugado em frente ao espelho e chorou.


Maria mesmo deprimida, agora era Camila, atualizando as novas fotos e cultivando novos amigos virtuais para que façam as suas vontades. Pedro mesmo sabendo da idade que tem, ainda gostava das suas fotos antigas e continuou conversando com outras garotas que ele considerava bonitas e que o adicionavam de tempos em tempos. Eles nunca mais foram os mesmos, continuavam alimentando uma secreta paixão que ao longo dos anos o saber que alguém os amava em algum lugar do mundo os confortava. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

IV Luau Literário em Criciúma

Boa tarde leitores amados!!

Hoje quero compartilhar com vocês a alegria que tive na semana passada, participei do IV Luau Literário que aconteceu no dia 14.08.2014 em Criciúma-SC.





Duas poesias foram escolhidas pelo Coletivo Sem palavras para leitura no Luau que aconteceu na biblioteca pública Donatila Borba, juntamente com outros escritores!!
As poesias foram: "Misterioso Amarelinho" e "Saudades do Pampa, Saudades do Pago".




São os e-mail que recebo, os comentários e mensagens que fazem ter ânimo de continuar nessa vida de escrever, agradeço aos meus leitores  que me acompanham nesta jornada.





Abaixo, e não menos importante, estão registrados eu com os meus convidados de honra:

Por ordem da esquerda para a direita: 
Cristiano Leandro
Maicon Colombo
Thayse Cardoso
Marcelo Colombo
Chai Deferrari
Ione Maretoli


Desde muito pequena, minha maior apoiadora de escrita: Minha mãe Ione Maretoli
à direita, o escritor Marcos Alexandre Margotti



Quem quiser curtir a pagina também no Facebook: 
https://www.facebook.com/pages/Chai-Deferrari/113291102115909?fref=ts

Agradeço muito aos meus amigos e leitores! 
e também aos e-mails que recebi (não equeci) ♥